Inaugurada com os dois volumes de "Lanterna na Popa", do Roberto Campos, em outubro do ano passado, a serie de leituras sobre a formacao historica do Brasil desde entao passou pelas memorias do ex-senador e diplomata Gilberto Amado ("Minha Infancia no Recife", "Presenca na Politica" e "Depois da Politica"); os quatro livros do Elio Gaspari sobre a Ditadura Militar ("A Ditadura Envergonhada, Escancarada, Derrotada e Encurralada"); o livro de memorias do Francis ("30 anos esta noite"); e pelo ja aqui referido "Formacao Economica do Brasil", do Celso Furtado.
Mas, desta vez, radicalizei. Encarei "Formacao Historica do Brasil", do J. Pandia Calogeras (1930), um classico que compoe a bibliografia de todos os manuais de historia, mas que poucos efetivamente leram.
Esta leitura me trouxe duas reflexoes sobre nosso "DNA" politico: a primeira, eh que desde tempos imemoriais, a capacidade de ousar da nossa elite dominante eh pequena. Praticamente todas as reformas politico-institucionais que ocorreram no Pais cairam de maduras, e vieram a reboque da realidade dos fatos ou da opiniao publica vigente. Cito como exemplos a ampla consulta de D. Pedro I aos estados antes da chamada "Indepencia" do Brasil (assim mesmo, com aspas), o lento processo que levou aa extincao do trafico e posterior abolicao da escravidao; a proclamacao da Republica (que ate D. Pedro II queria). O mesmo ocorreu em episodios menos conhecidos, como o tardio da conservatoria em territorio brasileiro (aplicacao da jurisdicao inglesa no Brasil).
Mas nao precisa ir tao longe: a distensao "lenta, gradual e segura" do regime militar tambem nao foi assim? E o lento processo que levou aa maxi-desvalorizacao do real e default sob FHC em 1999, tambem nao foi reconhecimento tardio da realidade dos fatos?
Essa constatacao me entristeceu, porque para nos livrarmos da cilada do nosso modelo economico seria necessaria MUITA ousadia, e duvido que o companheiro Lula rompa com o precedente historico.
A segunda reflexao, eh politica, mas um pouco tambem sobre nossa alma: eh impressionante o valor desmedido que tem a fofoca, a intriga, no processo politico do Brasil. O Duque de Caxias so conseguiu desarticular a revolta dos farrapos depois que uma picuinha boba intrigou o lider dos secessionistas, Bento Goncalves, e seu principal general, Bento Ribeiro.
Mais tarde, em 1868, o diz-que-diz-que entre o gabinete liberal de Zacarias de Goes e o Duque de Caxias, recem vitorioso na Guerra do Paraguai, levou ao rompimento dos militares com o Imperador, iniciando um processo que culminou na proclamacao da Republica, em 1889. Sem contar as infindaveis picuinhas entre o grupo liderado por Pinheiro Machado e os paulistas, organizados em torno de Rodrigues Alves, ao longo de toda a Republica Velha.
A esse espirito-de-porco politico se deve o fato de que hoje eh 27 de marco, e a agenda politica do Brasil em 2007 se resumiu aos boatos sobre quem ocuparia os cargos do primeiro e segundo escaloes no legislativo e no executivo.

Tiao: bordao-sintese da natureza do politico brazuca
3 comentários:
Quero ler...
Abraço
Dani
Valeu Dani! Bom saber que tem alguem do outro lado... Atualize o seu!
Preguiiiiça, mas atualizarei sim!
Ja disse sou leitor assiduo do EOP.
Bratz
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