segunda-feira, 31 de março de 2008

Random Acts of Heroic Love



Leo perdeu sua namorada Eleni em um acidente de onibus no Ecuador, em 1992. O acidente marca o inicio da jornada de Leo em busca da retomada de sua propria vida, que ele desejara abandonar em virtude da culpa que sentira pela morte de sua amada.

Moritz foi capturado pelos russos em 1916 quando lutava em defesa do Imperio Austro-Hungaro e de sua amada Lotte. Enviado para uma prisao na Siberia, ele escapa por ocasiao da Revolucao Russa em 1917 e caminha de volta a sua amada atraves da Asia e da Europa Central.

Estas sao as duas tramas paralelas de "Random Acts of Heroic Love", de Danny Scheinmann, cardapio de marco do meu Book Club (aquele...).

Papa definitivamente nao eh chegado em estorias de amor. Ao contrario, em literatura, prefiro o acido ao doce. O que nao quer dizer que "Random Acts" nao eh leitura divertida.

O primeiro ato do livro eh otimo. Como bem lembrou meu amigo Eki em nossa mesa redonda literaria, Scheinmann bebeu diretamente em "L'Etranger", de Camus, para abrir "Random Acts" com uma descricao bastante grafica do funeral de Eleni. Este recurso confere intensidade dramatica ao conflito interno do protagonista Leo, e prende a atencao do leitor ja na pagina 5. A trama de Moritz, por sua vez, captura dois dos momentos mais interessantes da Historia: a Primeira Grande Guerra e a Revolucao Russa, e por isso mesmo eh fascinante.

Porem, dai pra frente eh soh downhill. Scheimann forca a mao ao sobrepor de maneira artificial principios da fisica quantica na trama de Leo, sem que isto sirva qualquer proposito na trama. Ja a historia de Moritz tem boas cenas, mas no geral perdeu apelo por conta das personagens "flat", perfeitas ou imperfeitas demais. Detesto maniqueismo.

Mas o que realmente causou URTICARIAS neste blog foi o desfecho "surpresa" estilo novela das oito, em que Leo descobre que Moritz na verdade era seu Avo. Aaaargh!

Nao precisava, Danny. O leitor tem inteligencia suficiente para entender que as tramas estavam inter-ligadas pelo amor idealizado como o elemento definidor das jornadas das personagens para dentro de si mesmas...

Ou sera que nao tem?

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