quarta-feira, 2 de abril de 2008

As Palavras

Uma semana trancado numa sala redigindo com um indiano verborrágico ressaltaram a ojeriza que sinto do uso desmedido da palavra.

Graciliano Ramos resumiu muito bem o que sinto, nesta pequena citacão que encontrei outro dia:


Graciliano Ramos: falou e disse.

"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."

Um comentário:

Anônimo disse...

E dizer, como registrou o gênio Graciliano Ramos, é um ato que pressupõe pensar, o que hoje está se tornando tão difícil !!!!!