A quem estou tentando enganar com esse papo de "ando trabalhando demais, sem tempo para postar em EOP"? Na verdade, ando sem tem o que falar mesmo. Nao leio, nao vejo televisao, nao faco mais bosta nenhuma - a nao ser fazer o que faco.
Ainda bem que Papa acumulou o que dizer nos meses que antecederam a correria. Dai surge o quarto episodio da serie "Perfis EOP", que traz um pouco da historia do Office of the United States Trade Representative (USTR), o "representante comercial" americano.
Sempre que escuto os "especialistas" no Brasil falarem de politica comercial americana, escuto baboseiras do tipo "os republicanos sao identificados com o livre-comercio, e os democratas com o protecionismo."
Pois da proxima vez que voce ouvir isso, perdoai: eles nao sabem o que dizem.
O USTR foi criado em por John Kennedy, um democrata, no bojo das negociacoes do Trade Expansion Act no Congresso, em 1962. A ideia de sua criacao partiu da constatacao de que o State Department, responsavel pela representacao politica e comercial (como ate hoje o Itamaraty eh no Brasil), estava confundindo a agenda politica do pos-guerra com a politica comercial. Por essa razao, o State Department era visto com desconfianca pelos setores "protecionistas" da economia, que tinham nos bolsos os parlamentares a quem a Constituicao Americana reserva a prerrogativa de celebrar tratados com as nacoes amigas.
Assim, desde os primordios, o papel do USTR eh antes atuar como um broker junto ao Congresso Norte-Americano, obtendo aprovacao a posteriori para os tratados internacionais ja fechados. A obtencao do "fast track" (autoridade negociadora) tambem eh parte da funcao, porque limita os pitacos dos nobre deputados e senadores depois da tinta secar no papel.
Mas, como eu dizia, desde Christian Herter, USTR sob Kennedy, o escritorio do USTR vive seus dias de gloria sob administracoes democratas. O sucessor de Herter sob Johnson, William Roth, fechou a (modestissima) Rodada Kennedy em 1967, e depois ficou a ver navios no Congresso dominado pelos republicanos. Sob Nixon, republicano, o USTR caiu em desgraca e quase foi extinto, ate que em 1976 Carter (novamente um Democrata) teve a sacada de nomear um grande politico - Bob Strauss - para a posicao.
Bob Strauss fez e aconteceu como USTR no final dos anos 70: negociou restricoes "voluntarias" a exportacoes de chips, eletronicos e automoveis com os japoneses (que nao cumpriram), e arrancou dos europeus as concessoes necessarias para a conclusao da chamada Rodada Tokyo. Depois, voltou para Washington, cometeu perjurio perante o Congresso, e aprovou todo o pacote.
Talvez a unica excecao aa regra tenha sido Carla Hills, USTR sob George Pai, que entrou para a Historia como uma free trader de respeito, a quem cumpriu negociar o NAFTA e grande parte da Rodada Uruguai. Sim, porque coube ao idolo desse blog, William Jefferson Clinton, e ao seu USTR, Mickey Kantor, a aprovacao do NAFTA, e a conclusao e aprovacao da Rodada Uruguai no Congresso dos EUA.
Por essas e por outras, Papa tem fe que, com Hillary na Casa Branca a partir de 2008, crescem as chances de uma conclusao da Rodada de Doha. Pior eh que sao grandes as chances de que o USTR sob Hillary seja um(a) amigo(a) desse blog...
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
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Um comentário:
os leitores pedem um post sobre lobby (fascinante ferramenta de CRM que no Brasa é muito mal vista)
abs, AP
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