Um dos encontros que eram para acontecer - e nao aconteceram - foi entre Papa e Walt Whitman.
Quando me mudei para os EUA, em 2002, decidi aproveitar a ocasiao para ler o maximo possivel de literatura norte-americana. Solitario, e meio duro, passava horas na Borders perto de casa, ou na livraria da Connecticut Avenue, em Washington, lendo capitulos e mais capitulos de titulos diversos, para enfim comprar um (ou aas vezes nenhum) volume.
Dessa epoca, surgiu meu affair com o que a Gertrude Stein chamou de "Lost Generation": a safra de escritores modernistas norte-americanos que viveram exilados em Paris nos anos 20. F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway (padrinho desse blog), John dos Passos, Ford Maddox Ford, e Gertrude Stein escreveram suas melhores obras nesse periodo, retratado com um delicado toque de nostalgia em "A Moveable Feast", livro de Hemingway publicado postumamente.
Numa dessas incursoes aa Borders, me interessei por Walt Whitman. Mas me recordo que li uma critica de sua obra que dizia babaquices como "o bardo norte-americano", ou "aquele que melhor traduziu a alma americana", e desisti. Nao achei que valesse aa pena.
Pois hoje pela manha, encontrei Walt Whitman. Quem me apresentou foi Borges, talvez um de seus maiores fas. Fiquei extasiado com seu lirismo e com suas invencoes retoricas, e ao mesmo tempo com a simplicade de sua linguagem. Segue abaixo uma pequena traducao de um de seus poemas.
When I Heard The Learn'd Astronomer
Quando ouvi o douto astronomo,
Quando me apresentaram em colunas as provas, os algarismos,
Quando me mostraram os mapas e os diagramas, para medir, somar e dividi-los,
Quando de meu assento ouvi o astronomo, que sob muito aplauso dissertava na sala de aula,
Logo me senti inexplicavelmente cansado e enojado,
Ate que escorrendo-me para fora, vaguei solitario
No umido mistico ar da noite, e de tempo em tempo,
Olhei em silencio perfeito as estrelas.
quarta-feira, 27 de junho de 2007
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