quarta-feira, 31 de março de 2010

Purple Hibiscus

Sempre que leio o romance de estréia de um jovem autor, fico na torcida.  Tomara que conte uma boa estória e que seja bem escrito.  Que seja ao mesmo tempo surpreendente e tocante.  Que tenha personagens multi-dimensionais, já que nada na vida é simples. 

Desejo, enfim, que o autor(a) seja bem sucedido(a) onde eu fracassei.

Pois "Purple Hibiscus", da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, apesar da torcida, não entrega a rapadura.

A premissa é super interessante:  a narradora em primeira pessoa Kambili é uma adolescente reprimida por seu Pai, um fanático religioso ultra-violento que lidera a oposição à recém-instalada ditadura militar.  Quando as circumstâncias exigem que Kambili se mude para a casa da Tia, o ambiente liberal que ela e seu irmão Jaja encontram permitem a descoberta da sexualidade (ela se apaixona por um Padre), da individualidade, e da religiosidade pagã, enfim, da vida longe da opressão.  É quando o hibisco roxo do título desabrocha. 

Até aí, beleza.  O problema é que a execução foi muito fraca.  As personagens são totalmente unidimensionais, o que para mim é um crime capital num romance.  Da narrativa - principalmente das descrições -  vira-e-mexe escorrega um clichê (vergonha alheia!), e pior ainda, um final, tchan tchan tchan tchan, "surpreendente". 

Aí foi demais pra minha cabeça. Desanquei o livro na minha reunião do meu book club, para desespero de minha amiga Jan Yves, que havia sugerido sua leitura. 

Não JY, não era misoginia.  Era gosto mesmo...  

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