
"An Elegy for Easterly", livro de estréia de Petina Gappah, foi o companheiro das longas horas de solidão entre saguões de aeroporto e quartos de hotel no trajeto Genebra - Luanda (vide post abaixo).
Petina Gappah é uma amiga querida, ex-advogada aqui do Órgão de Apelacão, hoje prestando assistência jurídica a Países em Desenvolvimento a precos módicos no Advisory Centre for WTO Law, em Genebra.
E uma puta escritora.
"An Elegy for Easterly" traz pequenas vinhetas poéticas sobre o povo do Zimbabwe, sua terra natal. O luto ambíguo da viúva do dissidente político, que vê em sua morte uma oportunidade para garantir seu sustento; a favelada da Easterly do título, que não consegue ser Mãe, e rouba a filha de uma retardada mental; a garota que aguarda ansiosamente a chegada de Londres do cadáver de seu irmão, pois não tem o suficiente para prover a toda a família que aguarda o funeral. Essas e outras estórias trazem as agruras do povo do Zimbabwe, sem contudo glorificar sua pobreza. As personagens de Petina são humanas demais, cheias de falhas de caráter e ambiguidades, do jeito que Papa gosta.
Mas "An Elegy for Easterly" também é um livro político. Seu tema sub-jacente é a perda das ilusões sob a vil ditadura de Robert Mugabe. A crônica do processo histórico por meio do qual o "liberador" do jugo colonial britânico se transforma num opressor ainda mais cruel e sanguinário. Uma narrativa desgracadamente comum no Continente Africano.
Desde a publicacão de "An Elegy for Easterly" acompanhei, entusiasmado, o livro ser resenhado no Financial Times e no Herald Tribune, e depois ser nomeado para diversos prêmios internacionais, como o First Book Award e o Frank O'Connor International Story Award. Mais do que merecido.
Será que algum dia terei a coragem e o talento necessários para tracar caminho semelhante?
2 comentários:
Yes, you can!
Yes, you creu!
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