Midani foi o principal executivo das gravadoras Phillips/Odeon e Warner no Brasil, e nesta capacidade foi responsável pelo lancamento da Bossa Nova, no final dos anos 50, da MPB/Tropicália nos anos 70, e do Rock Brasil nos anos 80. Estória para contar é o que não lhe falta.

Panis et Circencis (68): marco do Tropicalismo
Para quem nasceu na Síria, testemunhou o dia D na Normandia, fugiu para o Brasil para não lutar na Argélia, e depois comandou uma verdadeira selecão mundial de talentos musicais, Midani até que é um cara modesto. Aliás, a total falta de pretensão é a grande virtude de sua biografia. Ao contrário do Nelsinho Motta em "Noites Tropicais", o Midani não se considera protagonista da História dos movimentos musicais que patrocinou, reconhecendo ser na verdade um mero "facilitador" do talento alheio. Fair enough.

"Araca Azul", de Caetano: maior fracasso de 1973
Porém, faltou a "Música, Ídolos e Poder" o que abunda em "Noites Tropicais": a crônica dos acontecimentos da época, para situar a obra de cada artista em seu contexto histórico. O casting da Phillips dos anos 60 e 70 era um timaco composto por Chico, Caetano, Gil, Bethania, Nara, Mutantes, Jorge Ben, João Gilberto, Tim Maia, Elis, dentre outros. Todos no auge da sua criatividade e talento, compondo as músicas que narraram os conflitos e as ansiedades da geracão de 68. Mas o livro pouco ou nada traz sobre a importância histórica de cada disco, a influência político-cultural das cancões, o desenvolvimento de cada artista. Pena.
Com isso, o livro segue a tradicão anedótica das auto-biografias carioca-ipanemenses, na mesma linha de "Dr. Roni e Mr. Quito", "Ela é Carioca", ou de "Minhas Histórias dos Outros". Desconfio também que doses cavalares das mais diversas drogas afetaram a memória do biografado, prejudicando o conteúdo da biografia.

Mutantes (69): a trilha de uma geracão
Eventuais defeitos à parte, apreciei muito o fato de que Midani, aos 76 anos, conseguiu o feito de escrever um livro de memórias sem saudosismo nem nostalgia. Se um cara que viveu tudo que ele viveu não cultiva o passado, é porque nenhum de nós deve fazê-lo.
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