sábado, 10 de novembro de 2007

As Guerras Islamicas - I

"EOP" inaugura uma serie de posts sobre os conflitos que marcaram a historia do Oriente Medio ao longo do Seculo XX.

Papa nao eh Karl Marx, nem quer dar uma de materialismo historico. Mas considera que o conflito de civilizacoes entre cristoes e muculmanos a que assistimos neste inicio de terceiro milenio eh resultado direto dos erros cometidos pelas grandes potencias (EUA, Inglaterra e Russia) no passado recente.

Essa briga ainda vai definir a Historia do seculo XXI...

Na vespera do Natal de 1979, Leonid Brezhnev ordenou que as tropas sovieticas invadissem o Afeganistao. Seu objetivo era garantir acesso ao Estreito de Ormuz, cortando pelo meio do Afeganistao e Paquistao, obtendo assim o controle estrategico da regiao do Golfo Persico, por onde passava (e ainda passa) grande parte da producao mundial de petroleo.

Brezhnev havia sido o comandante do temido Exercito Vermelho na vitoriosa campanha na Ucrania, em 1943, e em 1979 ainda mantinha ilusoes sobre a indestrutibilidade de suas tropas. Ja nos primeiros dias de 1980, havia derrubado o Governo Afegao, e colocado em seu lugar o socialista Babrak Karmal.

Os americanos, obviamente, nao acharam a menor graca. Controlavam a Regiao do Golfo Persico por meio de uma alianca com a Arabia Saudita, e se os russos garantissem acesso ao Estreito de Hormuz sua posicao estrategica na regiao estaria ameacada.

A CIA procurou entao o Rei Fahd da Arabia Saudita com uma proposta: que tal providenciar uma legiao arabe, de preferencia liderada por um principe Saudita, para liderar uma forca de guerrilha contra os russos? Assim, a casa de Saud nao so provaria ao mundo que nao era composta de parasitas corruptos e covardes, como tambem restabeleceria a tradicao da "Legiao Arabe", liderada por um guerreiro intrepido que arrisca sua vida em beneficio de toda a umma, a comunidade Islamica.

Nenhum dos principes sauditas se dispos a aceitar tao "nobre" missao. Furioso com sua covardia, e com a humilhacao imposta pelos russos aos muculmanos no Afeganistao, um bilionario saudita ligado aa casa de Saud topou o desafio.

Seu nome era Osama Bin Laden.

Bin Laden entrou no Afeganistao pela cidade de Peshawar, na fronteira com o Paquistao, antes do reveillon de 1979. Logo colocou sua companhia de construcao a servico das guerrilhas mujahedin locais, abrindo com a ajuda de seu engenheiro iraquiano Mohammed Saad um tunel gigantesco, um hospital, e um deposito de armas nas montanhas de Zazai, na provincia de Pakhtia. De la, abriu uma estrada a ate quase 25 kilometros da Capital Kabul, um feito de engenharia monumental que os russos jamais conseguiram destruir.

Nos nove anos seguintes, Bin Laden seria seguido no Afeganistao por dezenas de milhares de egipcios, sauditas, iemenitas, kuwaitis, algerianos, sirios e palestinos. Quando sua legiao arabe comecou a emboscar os comboios russos nas estradas e nas montanhas, Moscou pensou se tratar de resistencia Afega. Nao, nao era. Era uma legiao pan-arabe, armada pelos americanos com dinheiro saudita, e que anos mais tarde o mundo viria a conhecer sob o nome de Al-Qaeda.

Os sucessivos ataques dos arabes abalaram a moral da tropa russa, composta em grande parte de muculmanos do Tajiquistao e Turcomenistao, vindos do front da Georgia. Em pouco tempo, o exercito Afegao, supostamente controlado pelos russos, passou a se recusar a atirar em seus irmaos muculmanos, e com o passar dos anos passou a apoia-los abertamente. Bin Laden vencera os russos.

Com a retirada das tropas russas em1989, as diversos tribos e clas mujahedin afegaos lancaram-se numa violenta disputa pelo poder. Desiludido por esta perversao do islamismo, Bin Laden voltou para a Arabia Saudita. Um ano depois, quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait, Bin Laden voltou a oferecer seus servicos aa familia real saudita. Eles nao precisavam convidar os americanos para lhes defender - disse ele. Meca e Medina, as cidades sagradas em que o profeta Maome recebeu e recitou as mensagens de Allah, devem ser defendidas somente por muculmanos. Bin Laden lideraria sua guerrilha contra os iraquianos no Kuwait, e os expulsaria do Emirado.

O Rei Fahd declinou a oferta de Bin Laden. Ele entendera que a presenca de tropas americanas na Arabia Saudita lhe causaria problemas, mas confiou numa promessa feita pelo Presidente George Bush de que as tropas americanas se retirariam tao logo a ameaca iraquiana cesasse. Estao la ate hoje.

Ultrajado pela traicao da Casa de Saud, e pela presenca dos infieis na terra santa, Bin Laden se refugiou no Sudao e levou consigo o seu exercito.

Agora, ele sabia quem era o seu verdadeiro inimigo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Na ultima Super interessante saiu uma materia contando a fundamentacao religiosa dessa historia.
Abraço
Dani