sexta-feira, 28 de maio de 2010

Saint Emilion

Há duas semanas, cruzamos a França de Leste a Oeste para conhecer o vignoble de Bordeaux. 

Acontece que Bordeaux é uma área viticultora imensa, com diversas apelações distintas, o que tornaria nossos escassos quatro dias muito pouco para tanto vinho.  Optamos portanto em concentrarmos nas apelações da Rive Droite do Dordogne.  Baseados no simpático "Chateau de Barrouil", de Monsieur et Madame Ehrsam, exploramos vinhos das apelações Saint-Emilion Grand Cru, Lussac Saint-emilion, Cotes de Castillon, Entre-Deux-Mers, e Fronsac.


O barato de Bordeaux é que há grande variedade de terroirs num espaço relativamente pequeno.  Na região que exploramos, por exemplo, havia solo calcáreo, solo argiloso, graves, entre outros.  Com isso, dá muito vinho diferente - e muito vinho bom.  A diferença entre apelações situadas a poucos quilômetros de distância é surpreendente.

Em Bordeaux a uva merlot reina absoluta, e como nos disse o simpático patron do Domaine Dalem em Fronsac, a merlot por si só já dá um vinho pronto.  Os caras só misturam até 20% de cabernet sauvignon e cabernet franc para dar um toque de sofisticação. No mais, a maioria dos tintos tem ao menos 80% de merlot.  A uva se adapta bem às condições locais, por que suas raízes são bem profundas, e produz altíssimos yields a cada ano. Tão altos que a maior parte dos produtores podam os ramos de uva (quatro por videira) para aumentar a concentração de açucar e taninos nas uvas.


Muito interessante também foi o contraste entre os modos de produção de Borgonha e Bordeaux.  Enquanto na Borgonha ainda se faz vinho da maneira mais tradicional, em Bordeaux a maior parte dos produtores abraçou técnicas de vinificação modernas.  Por lá, pré-masseração a frio, "colagem", barricas de madeira nova, controle eletrônico da fermentação alcoólica, e outras técnicas consideradas tabú na região da Bordonha, são lugar comum. A tradição deu lugar à modernidade - e por que não dizer? - ao lucro.

O destaque da viagem foi o já mencionado Domaine Dalem, em Fronsac.  Além do vinho espetacular que lá tomamos, fomos recebidos pelo patriarca da família, um senhor de 82 anos que, na França pós-guerra, ergueu um império de vinhos e de máquinário para viticultura. Como bem disse Madame Ehrsam, "les vignerons sont passionés et passionants." Assino embaixo.  


Depois de comer muito bem e beber melhor ainda, cometemos um pequeno delito criminal ao contrabandear 36 garrafas de vinho de volta a Genebra.  O limite são 12. Well, valeu o risco.

Deixamos a Rive Gauche para uma próxima temporada. Médoc, Pauillac, Margaux e Listrac não perdem por esperar.  

Um comentário:

Anônimo disse...

contrabando deve dar mais dinheiro que a WTO...

...aqui, na terra tupiniquim, o Timao comeu peixe frito e o jornal Campeão tem novo editor em Sampa...

abs Genepi