sábado, 4 de julho de 2009

Comida Eh Arte

Das pequenas tradicoes que desenvolvemos nestes tres anos de Europa, uma visita anual a Paris eh sem duvida uma das mais gostosas. Sempre em boa companhia. Ano passado foram Milton & Mamae (vide post abaixo). Este ano, Tcho & Aline, em ritmo de embarrigar.


Cartao Postal, para a posteridade. Foto: Tim Maia

Ja conhecemos Paris suficientemente bem para ter nossos programas prediletos na cidade, nao necessariamente do circuito turistico.
Mas tambem houve a obrigatoria passagem pelo Musee D'Orsay, onde jamais me cansarei de admirar "Le Dejeuner Sur L'Herbe", talvez meu quadro predileto. O olhar de Victorine Meurent me hipnotiza, nua e desafiadora, em meio aa total indiferenca de seus comensais. O tamanho da tela, sua iluminacao quase fotografica e sem tons pasteis, e seu fundo quase inacabado, tudo nesta pintura me fascina. Sabendo que Manet era um pintor altamente analitico, um de meus jogos favoritos eh adivinhar quais as suas reais intencoes ao pinta-lo. Cada vez saio do D'Orsay pensando uma coisa diferente.


Papa e Tcho participam do "Almoco na Grama"

Pintado somente dois anos apos "Dejeuner", "L'Origine du Monde" de Gustave Courbet (abaixo) eh o preferido do Tcho. Nao sei porque.

Acho que conheco a modelo...

Sem duvida, o highlight artistico do fim de semana foi a retrospectiva do Kandinsky no Pompidou. Foi incrivel perceber como Kandinsky evoluiu do chamado "abstracionismo figurativo" dos anos de Munich (1908-1914, minha fase predileta, pelo uso magnifico das cores), para, sob a influencia de Matisse, experimentar com figuras geometricas (Berlin 1922-1933), ate despirocar geral em direcao a uma pintura totalmente instintiva, de fundos monocromaticos e formas bio morficas (Paris 1934-1944). Acho que poucos artistas alteraram tao radicalmente sua maneira de pintar ao longo da vida como Kandisky. A exposicao foi simplesmente magnifica, e por si so valeu a viagem.



Kandinsky em 3 tempos: Improvisacao VII (1910)...


... Composicao VIII (1923)....


... e Alguns Circulos (1936). Pedra que nao rola, cria limbo.
Ja no cote gastronomique, o esquema foi o jantar do dia dos namorados no Bistrot Paul Bert, na rua de mesmo nome, no XIeme Arrondissement. Fora do circuito turistao, experimentamos a verdadeira experiencia de um bistrot parisiense. Decor decadente, servico mal-humorado, menu du jour na lousa, e uma comida espetacular. Ate hoje estou esperando a salada que acompanhava meu steak au poivre, mas nao reclamamos porque o estabelecimento "gentilmente" esqueceu de cobrar a segunda garrafa de vinho.

Pit-Breja em Montmartre.

Outra agradavel surpresa foi encontrar com encontrar Fetins, Ribeiro e Paulinha para um jantar na Brasserie Balzar, em Saint Germain. A Fetins alias anda onipresente: Barcelona, Sao Paulo, Paris, ela esta onde estamos. Que Deus a conserve assim.


Fetins e Esposina, nao resistem a um belo bigode.

Arte, gastronomia, bons amigos, e boas risadas. Nao eh aa toa que Hemingway descreveu Paris como "a moveable feast". Ou, como diria meu medico, "Que la vie soit belle!"


Detalhe do Bar da Gare de Lyon: Paris eh Foda!

No proximo capitulo: Tchos & Tchocos transferem a balada para Budapeste. Sera que elas embarrigaram? Nao percammmmmm......

3 comentários:

Anônimo disse...

A gente não quer só comida,
A gente quer comida, diversão e arte
A gente não quer só comida,
A gente quer saída para qualquer parte,
A gente não quer só comida,
A gente quer bebida, diversão, balé
A gente não quer só comida,
A gente quer a vida como a vida quer

Anônimo disse...

não acho que a modelo te conhece, mas se você prefere pensar assim....rs
os tchocos farão falta na cervejinha de hj! bjs

Fernanda disse...

Kandinsky!!!! EXCELENTE INDICAÇAO!!!!
to chegando....