sexta-feira, 5 de junho de 2009

O Pasquim

No último mês, andei lendo Stieg Larsson ("The Girl with the Red Dragon Tatoo", traduzido no Brasil como "Homens que Odeiam as Mulheres"), Tolstoy ("A Morte de Ivan Yilich e Outras Estórias"), mas o que realmente me deu prazer foi a terceira coletânea do Pasquim, com textos publicados entre 1973 e 1974.

Se você não sabe o que foi "O Pasquim", está no blog errado.

Se sabe, a coletânea é realmente imperdível. Já tinha lido o primeiro volume, com textos publicados entre 1969 e 1971, e adorei, apesar do forte ranco "panelístico" (muito papo sobre a turma de Ipanema). Entre 73 e 74, a era do deslumbramento já havia passado, e "O Pasquim" dedicava-se ao que sabia fazer melhor: crítica social, cultural e de costumes, com muuuuito deboche. (O humor é o combustível da vida; é por isso que Genebra sucks!)

Tudo com um certo clima de "liberdade", uma vez que o censor, à época, era o General Juarez, pai da Helô Pinheiro, a "Garota de Ipanema". O coroa era fã do hebdomadário, e deixava passar tudo - ou quase tudo. Até os milicos perceberem a jogada e mandarem a censura para Brasília. Foi o início da era do obscurantismo no Pasquim.

Os que puxaram cana em 1971: Fortuna, Francis, Sergio Cabral, etc.

Na coletânea, tem Sérgio Augusto descendo o cacete no primeiro filme do Spielberg, uma entrevista hilária do Lupicínio Rodrigues, que termina às 9.30 da manhã com todo mundo bêbado, crônicas de Chico Anysio, do Ivan Lessa, do Henfil, do Rubem Braga, dentre outros. Material de primeira - e que continua atual.

Mas o ponto alto, sem dúvida alguma, são os artigos do Francis. Putz, o Francis era foda. Adoro seu estilo mordaz e a combinacão de erudicão com coloquialismo. E como comentarista político-social, era insuperável. O cara discorre com a mesma propriedade sobre Sartre e Simone de Beauvoir, sobre Nixon (prevê sua renúncia), sobre seus ataques de depressão, sobre Sófocles, sobre sexo, etc.

Só por ele, já vale a leitura.

2 comentários:

André Pascowitch disse...

vou atrás...abs, genepi

Papa disse...

Ôôô Genepi! Bem-vindo de volta a EOP! Achei que você andava muito ocupado satisfazendo a mulherada para ter tempo de comentar por aqui.

Volte sempre!!
P.