Dane-se. Umas das funções deste blog é servir como caderno de anotações.
Assim, sob a rubrica "leituras", Papa relata suas impressões sobre duas de suas mais recentes leituras, "Istambul", de Orhan Pamuk, e "The Story of Saint Michelle", de Axel Munthe.
Um Turco, o outro Sueco. Só pra contrariar.
As duas obras têm um tema comum: são, ao menos pretensamente, memórias sobre o universo de seus autores. Mas, de certa maneira, o que sobra no primeiro falta no segundo.

Istanbul, debruçada sobre o Bósforo
Explico: o melhor de "Istanbul" são seus momentos estritamente memoriais: anedotas sobre a relacão de Pamuk com seus pais e irmãos, com a parentada que co-habitava o mesmo edifício, as frustrações com a primeira namorada, etc. Tudo relatado com muita delicadeza e sensibilidade. Infelizmente, porém, estes momentos são poucos em comparação com as loooongas e arrastadas digressões sobre a cidade de Istambul, seus escritores, jornalistas, etc. Estas tornam a narrativa arrastada e cansativa.
"Saint Michelle", ao contrário, tem seus melhores momentos nas memórias de um lugar: A Casa de Saint Michelle, em Capri, contruída pelo autor sobre os escombros do antigo palácio do Imperador Tibério. E perde quando o autor se lança em reminiscencias de sua biografia pregressa.
Aparentemente, a maior parte dos que leram "The Story of Saint Michelle" adoraram os aspectos fantásticos da obra. Munthe vê a morte, conversa com animais, com duendes, com fantasmas, etc. Eu não. Estas passagens me fizeram bocejar. Realismo mágico definitivamente não é comigo. Prefiro Borges.

A Casa de Saint Michelle
Mas muitos dos pequenos contos que formam a narrativa são interessantes e divertidos, como um episódio sobre uma tentativa de curra de uma freira, ou a troca de defuntos a caminho da Suécia. De quebra, Munthe fez a gentileza de me apresentar a Guy de Maupassant.
Vem mais posts por aí.
Um comentário:
Depois desse post nao fiquei com vontade de ler nenhum dos dois... ;)
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